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Fernando de Noronha gastando pouco

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Todos sabem que a finalidade deste site é relatar as viagens que nós fazemos de carro. Só que vou abrir o precedente agora. Sempre que viajarmos e tivermos informações úteis pra compartilhar vou colocar por aqui, independentemente do meio escolhido pra isso. Então confira agora o bônus track da nossa viagem ao Nordeste: Fernando de Noronha.

[sancho]

Dias 4 e 5 - De Assunção/PAR a Jujuy/ARG

E aí!? Na paz?

[19/04] Dia 4 - Assunção/PAR ~ Napenay/ARG
Hoje é dia de se despedir do Paraguai. Ontem conversamos sobre a impressão de cada um sobre o país, mais precisamente sobre o que sentimos de Assunção nesses dois dias que ficamos aqui. Bom, falo por mim, achei que o lugar merece uma visita. Tive contato com pessoas educadas e simpáticas; não achei caro para se alimentar, nem pra beber; achei a Costanera uma boa opção de lazer. Se tivesse mais uns dois dias aqui conheceria o Lago Ypacaraí, a 40Km da capital e conheceria os museus para me inteirar um pouco mais sobre a história dos nossos vizinhos. Fica pra próxima.



Acordamos cedo, arrumamos as coisas, tomamos café, peguei o carro no estacionamento, busquei a gang e zarpamos por volta das 8 e pouco. Hoje vamos para Napenay, um povoado 30 Km depois de Presidência Roque Saenz Peña. Na real a hospedagem fica um pouco afastada do povoado. É tipo uma pousada-fazenda, o El Rebenque.

Hospedagem
O Hostel Gallagher tem sua fachada discreta. Tivemos um tanto de dificuldade para encontrá-lo, uma vez que não há identificação. Fora que, inacreditavelmente, na rua dele há dois números de residência iguais. Assim que chegamos fomos no outro, que fica a uns 2Km de diferença do real. O hostel é bacana, porém estava bem deserto. Havia apenas dois argentinos que estavam há 6 meses trabalhando na capital, num serviço temporário. A estrutura é boa, tem um pátio, área de tevê (pequena), quartos com ar condicionado e pelo menos 3 banheiros e bom sinal de WiFi. Por um problema no quarto que ficaríamos, ficamos num quarto para 10 pessoas, mas que seria utilizado somente por nós 4 durante o período. A localização é boa, ficando a poucas quadras da praça da Independência.

Saímos da pousada em direção a divisa Paraguai/Argentina. Se vier de carro, lembre-se de deixar pelo menos 10000 Gs (~ R$ 6) para pagar o último pedágio antes da divisa. Caso não tenha, troque dólares por Guaranis num mercado próximo ao posto de gasolina a poucos metros do pedágio. Fizemos isso. Pouco depois de atravessarmos a ponte sobre o Rio Paraguai encontramos a Aduana, onde é feita saída do Paraguai e entrada na Argentina. Tudo é feito no mesmo "prédio", cada qual no seu próprio guichê. O procedimento aqui é rápido. Menos de 10 minutos para dar baixa no acesso paraguaio e entrada no argentino. Na saída do guichê argentino, recebemos um cupom que deve ser entregue ao agente de fiscalização alfandegária. Voltamos para o carro, entramos numa fila em que, geralmente, os fiscais pedem para os motoristas abrirem o porta-malas, dão uma olhada por cima e tchau. Geralmente, pois quando a placa é do Brasil a coisa muda um pouco de figura. Entreguei o cupom ao agente, ele pediu meu passaporte, o seguro carta-verde e o documento do veículo, e pediu preu retirar o carro da fila e estacioná-lo próximo dos guichês por onde havíamos passado para que fôssemos revistados. O agente informou que esse procedimento é praxe para veículos brasileiros, pois como há grande incidência de roubo de veículos no Brasil que os paraguaios usam pra transportar drogas dentro da sua carenaem, a inspeção se faz necessária e deve ser minuciosa. Para tanto, tivemos que sair do carro e retirar toda a bagagem para colocar numa esteira. O cara primeiro olhou o carro inteiro, dando toques na lataria e na estrutura interna, visando achar algo incomum. Depois verificou toda a nossa bagagem, uma por uma. Após isso, fui orientado a entrar no carro e encaminhá-lo até o raio-x. Fui para um galpão, esperei um caminhão ser escaneado e na sequência pus o Zidane lá. Procedimento rápido, nem 5 minutos demorou. Tudo certo, nada encontrado, fiquei com a certeza de que tudo isso foi feito por que o agente sacou que Ramirez, ex-delinquente juvenil, estava no carro conosco, o que fez com que todos entrassem em alerta. Não passou de um falso-positivo.

Bom, nada nada esse ziriguidum aí levou quase uma hora e ainda tinha chão pra caramba pela frente. Fora isso, perdemos uma hora na transição de fuso horário. Ao entrarmos na região do Chaco argentino o clima muda. Aquele solzão que foi brother em Assunção já não fazia mais questão em nos fazer companhia. Pegamos tempo nublado e chuvoso em todo o trecho.

Polícia Corrupta
Um dos receios dos motoristas que dirigem pela Província del Chaco aqui na Argentina é ter que lidar com a Polícia Caminera, conhecida por tentar morder um troco de vez em sempre. Se fazem isso com os próprios argentinos, o que dizer dos turistas? Bom, sabíamos que isso poderia acontecer mas estávamos seguros, pois não tínhamos deixado nenhuma brecha para que eles se aproveitassem. Ou quase. Chega a primeira barreira policial e ao avistar nossa placa, um dos guardas manda a gente encostar. Nisso vem um outro na minha janela, pede meus documentos e os do carro, olha, vai lá na frente do carro e pede pra eu descer pra ver "uma coisa". Pensei, qual vai ser a bronca agora? Um passarinho abatido que ficou na grade do carro, e é proibido transportar animal silvestre daquela forma? Ou o para-choque que está levemente desalinhado em relação a carroceria, o que poderia prejudicar uma possível negociação em caso de revenda do veículo, o que é proibido por lei, também? Nem Rita, nem Rosa. Eu vou lá e ele me aponta a minha luz diurna. O Zidane é daqueles que tem luz de led que fica acesa durante o dia, com faróis desligados. Se eu ligar os faróis, a luz diurna se apaga. Ou seja, o carro nunca fica sem um dos faróis acesos enquanto está em funcionamento. Aqui é terminantemente proibido rodar pelas estradas com luzes apagadas. Isso é básico e já sabíamos. Eu estava tranquilo, pois só com o led posso ser visto me maneira nítida e numa distância maior que se estivesse com farol normal ligado durante o dia. Pois bem, ele me pede pra ir no carro e acender a luz baixa. Feito. Eis que ele me diz que na Argentina os carros tem que rodar daquele jeito. Eu argumento, dizendo que estava me fazendo visível e que mesmo que quisesse o carro não permite que eu rode no escuro. Ele encasqueta que a luz que deveria estar ligada seria a luz baixa do farol. Chama um camarada dele, apresenta o fato, os dois saem da frente do meu carro, vão até a traseira de uma viatura e me chamam lá. Chego lá e "interrompo" o que seria uma conversa entre eles, dizendo que vão ter que me multar, mas ao mesmo tempo muito preocupados comigo, pois como eu havia dito que eu iria para a Bolívia, eles estavam com medo que eu não conseguisse atravessar a fronteira pois eu teria que ter a multa paga e tals. E eu, passivo. Olhando pro tempo. Um deles sai de perto. O outro me mostra um papel com um trecho da lei indicando que a luz baixa é obrigatória. Falei pra que ele fizesse o trabalho dele. Ele falou que era periogoso andar daquele jeito. Concordei. Abriu o talão da multa, rolou as folhas até achar uma em branco lá no fim. Nessa, anotou a placa do carro, meu nome e disse que eu poderia ir embora e que tomasse cuidado. Certamente com eles eu tomaria.

Mais adiante uma segunda barreira da Polícia Caminera. Cismado que a galera da barreira anterior tivesse jogado a letra para o pessoal desta barreira, fiquei atento. Porém, tranquilo, pois não tinha nada a que eles pudessem se apegar. Ou quase. O mesmo procedimento. Um policial identifica a placa, manda encostar e outro bate à minha porta, muito solícito. Pergunta se eu falo espanhol. Digo que um pouco. Pede todos os documentos de volta e, o bônus, o extintor. Opa! Olhaí uma novidade. Sinceramente não lembrava de ter tirado esse equipamento do carro, mas num misto de nervosismo e tensão, não encontrava a porra do extintor. Pensei, pronto. Encontraram a brecha. Depois de alguns instantes encontro o bicho lá, mocado. Ufa. E a validade? E a carga? Não fazia muito tempo que tinha reparado nisso, mas sabe comequié? Qualquer brecha, é brecha. Saio do carro, e ele pede pra gente examinar junto. Carga tá ok. Validade ele pergunta onde tá, a gente não encontra. Ele pergunta quando foi a última vez que troquei a carga. Eu digo que na última revisão. Quando foi? Seis meses atrás. Ok. Passei no teste. Vamos porta-malas. Pede pra mostrar triângulo, macaco, chave de roda e estepe. Beleza. Chamo Ramirez pra me ajudar, tiramos tudo do porta-malas, apresentos os equipamentos, ele pede desculpa pelo aborrecimento e nos deseja boa viagem. Simpático o rapaz. Criterioso, como tem que ser. Afinal de contas, já tinha driblado um camarada dele e a ele próprio na questão do extintor. No pasa nada. Colocamos as coisas de volta e seguimos em frente. Acreditei que a gente ia passar por mais revistas como essa nos próximos, ainda bem que não, pois perdemos muito tempo nessas paradas. Teve mais duas que nos deixaram passar, sem parar. Importante salientar que a outra polícia da rodovia, a Gendarmeria Nacional, os caras de verde, são os de boa. Não te param à toa. Já a Caminera se orgulha em fazer o trabalho como tem que ser feito. Bom, depende do ponto de vista...

Ok, tome-lhe estrada e lá chegamos em Napenay. Como havia dito, povoado pequeno e nossa pousada ficava um pouco afastada. Não tem muita informação pra chegar lá. Pegamos mais ou menos como seria o acesso com um transeunte do povoado e adentramos a estrada de chão. Uns 7Km reto, e uns 5Km à direita, encontramos a placa indicando que estávamos a 2Km do lugar. A gente tinha colocado as coordenadas no GPS, mas mesmo assim tava complicado.

Chegamos por volta das 18h e fomos recebidos pelo Walter, dono do lugar e por seus cachorros. Senhor simpático, logo foi nos apresentar nosso quarto e perguntou pra que horas queríamos o jantar. Perfeito. Falei com ele a respeito da Polícia Caminera e ele reforçou que nessa província eles são assim mesmo. Também mencionou a província de Santiago del Estero e disse que é um mal do norte da Argentina. Tenso o negócio. Voltando, não sei se reparou, mas não falei sobre almoço nesse dia. Não teve. Uma opção seria Resistência, mas não quis entrar na cidade pra isso, pois achei que perderíamos ainda mais tempo. Galera sofreu um pouco. Foi malz aê. Jantamos mais tarde, e voltamos pro quarto curtir a chuva que teimava em não cessar lá fora.

Dia 5 - Napenay/ARG ~ San Salvador de Jujuy/ARG
Dormida boa. Choveu a madrugada inteira, mas de manhã já tinha parado. Tomamos café e nos preparamos pra sair. Como acesso até o Rebenque é em estrada de barro, fiquei com medo de formar lamaçal. Mas o Walter disse que ia nos seguindo até a rodovia logo depois da nossa saída e nos guincharia, caso fosse necessário. Não foi.

Dirigi a manhã toda até chegar em El Quebrachal, já na província de Salta. Almoçamos num comedor bem simples, bom e quantidade boa, o El Viejo Almacén. Depois do almoço, Ramirez assumiu a boleia. A paisagem muda um pouco e a estrada, também. As longas retas vão dando lugar às curvas. Como a estrada em geral é bem boa, com pouco tráfego, dá pra desenvolver bem. É necessário só tomar cuidado com animais soltos vagando na beira da estrada. Quando a Ruta 16 está para terminar já é possível avistar a cordilheira ao fundo e se aproximando. Quando entramos na Ruta 9, sentido Salta, a estrada duplica. Muito bom, pois aqui já começa a ter tráfego e são muitos os caminhões.

Pouco antes das 17h chegamos a San Salvador de Jujuy. Me surpreendi logo de cara. Achei que ia encontrar um vilarejo com meia dúzia de gato pingado, nada. A cidade tem nada menos que 240 mil habitantes. Rapaz, preste atenção no "mil" ali. É isso mesmo. Fica claro que não pesquisei nada sobre ela antes. E essa montueira de gente reflete no trânsito. Muito carro em todo o trajeto, da entrada da cidade até o hostel. Todas as quadras em volta do hostel tinha um esquema tipo Estar, ou Zona Azul, em que a gente compra o bilhete e deixa no painel para estacionar por hora. Coisa de cidade grande, mesmo.

Deixamos as coisas no hostel, fomos dar um rolé. Como aqui eles são adeptos da siesta, o comércio fecha das 13h às 17h e funciona até as 21h. Tava tudo aberto. Um centro da cidade grande com muitas lojas e muito movimento. Camelamos, depois fomos prum boteco comemorar a chegada.

Abrax,

Cabeça

P.S.: Ainda sem fotos por causa da internet. Dá uma olhada no instagram, enquanto isso, que tem qualquer coisa lá.

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Dados de Bordo:
Kms rodados: 1150
Rodovias e situação:
RN 11 - Pista simples. Muito boa. Tráfego só mesmo na entrada e saída das grandes cidades. No eral, tranquila.
RN 16 - Pista simples, em boas condições. Alguns trechos estão em obra, ocasionando falta de sinalização vertical e horizontal. Em dois trechos curtos, ainda na província del Chaco, não havia asfalto. Era estrada de chão.
RN 9 (pedagiada) - Duplicada até a entrada de Salta, depois só mais pra frente, perto da entrada para Jujuy.

Alimentação:
Ar 370 =~ R$ 90, para os quatro, El viejo Almacén

Pedágio:
Ar 5 =~ R$ 1,25

Abastecimento:
Ar 750 =~ R$ 190, próximo a Formosa/ARG
Ar 680 =~ R$ 170, Pampa del Infierno/ARG

Hospedagem:
Hostel Gallagher - Assunção/PAR
US$ 53, para quatro pessoas, por dia, em quarto quádruplo.

El Rebenque - Napenay/ARG
Ar 1500 =~ R$ 375, para quatro pessoas, por dia, com jantar e café da manhã.

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